
A reação de seus correligionários veio de todos os lados. Alguns acusaram-lhe de anti-ético e outras coisas mais. Outros até concordaram com suas palavras mas, acharam que ele lavou roupa suja em público; levando em consideração o ditado popular. Fazendo uma leitura mais profunda disto, lembrei-me das palavras de Jesus: "Os filhos das trevas são mais prudentes em suas gerações, que os filhos da luz" (Lc 16.18).
A prudência, segundo o dicionarista Aurélio Buarque, é:
1. a qualidade de quem age com comedimento, buscando evitar tudo que julga fonte de erro ou dano.
2. Cautela, precaução. Na verdade, toda instituição humana tem defeitos e, por isso, problemas; afinal são feitas por seres humanos. No entanto, mesmo admitindo seus erros, ninguém gosta de ver suas entranhas expostas. Nós os evangélicos, não estamos incólumes aos erros. O próprio Senhor Jesus admitiu isso, a partir daqueles que já o seguiam quando orou ao pai celeste dizendo: "Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal". (Jo 17.15). No versículo seguinte, Ele nos incluiu ao dizer: "Eu não peço somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim".
Sendo assim, somos propícios a erros e, por esta razão, jamais poderemos fazer o papel daquele fariseu que subiu ao templo e, ao lado de um publicano, orava em pé dizendo: "Ó Deus, graças te dou, porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana e dou o dízimo de tudo o quanto possuo". (Lc 18.10-12).
Infelizmente esse pensamento ainda permeia a cabeça de muitos cristãos. Se não fora verdade, isso não estaria nas páginas da Biblia, para exemplo e nos redarguir. O problema é que esses cristãos não aplicam a Palavra de Deus às suas vidas, talvez a do vizinho de banco ou a um companheiro de ministério. Niguém é crente 105%, quem assim se julgar descerá sem a justificação. E olhe que o farizeu desceu literalmente pra casa, mas num sentido mais amplo poder-se-ía descer ao inferno. Estes tais, acreditam não haver mais necessidade da longanimidade de Deus e por isso não clamam mais por sua misesricórdia.
continuando a parábola, Jesus disse que o publicano, nem ousava levantar os olhos ao céu. Somente batia no peito e dizia: " Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador". (Lc 18.13). Em seguida o mestre acrescentou: "que este desceu justificado, e não aquele".
Nós por mais coerentes que sejamos não podemos atirar pedras no nosso irmão. Principalmente quando as tais são arremeçadas pelos meios de comunicação como o rádio, a Tv e Internet. Se hoje temos segurança de nossos passos, devemos também lembrar que ainda não ganhamos corpo incorruptível, e corremos o risco de ter que nos defender dessas mesma pedras.
Se os homens que militam em instituições comuns, repudiam tais atos por uma simples questão de ética, como devemos fazer em se tratando do sagrado? Pessoas há, que por haverem alcançado fama, idade avançada, ou longos anos de "experiencia" ministerial, acham que podem falar "tudo" no pulpito ou até mesmo na grande mídia. E como fica aqueles que precisam ouvir ou ler uma palavra de esperança, se de quem a esperamos se mostra desesperado?
Se assim procedermos receberemos repúdio não somente daqueles, mas também do apóstolo Paulo. Ele escreveu aos corintos: "Ousa algun de vós, tendo negócio contra outro, ir a juizo perante aos injustos? (I.Co 6.1). Esse juizo, não significa tão-somente os tribjunais, mas, o julgamento da opinião pública.
Que Deus nos conceda da sua Graça. Que possamos colocar em prática a sua Palavra: "O Senhor te dê tão-somente prudência e entendimento..." (ICr 22.12). " O que for prudente guardará silêncio naquele tempo, porque o tempo é mau". (Am 5.22). E com seu evangelho, Jesus ratificou isto, dizendo: " Eis que vos envio ao meio de lobos, portanto, sede prudentes como as serpentes, e simplices como as pombas". (Mt. 10.16).